sábado, 19 de maio de 2012

Max Weber: motivo e sentido da ação social

No raciocínio de Weber, o conceito de “motivo” (...) permite estabelecer uma ponte entre sentido  e compreensão. Do ponto de vista do agente, o motivo é fundamento da ação; para o sociólogo, cuja tarefa é compreender essa ação, a reconstrução do motivo é fundamental, porque, da sua perspectiva, ele figura como causa da ação. Numerosas distinções podem ser estabelecidas aqui, e Weber realmente o faz. No entanto, apenas interessa assinalar que quando se fala de sentido na sua concepção mais importante para a análise, não se está cogitando da gênese da ação, mas sim daquilo para o que ela aponta  para o objetivo visado nela; para o seu fim. Em suma.
Isso sugere que o sentido tem muito a ver com o modo como se encadeia o processo de ação, tornando-se a ação efetiva dotada de  sentido como um meio para alcançar um fim, justamente aquele subjetivamente visado pelo agente. Convém salientar que a ação social não é um ato isolodo, mas um processo no qual se percorre uma sequência definida de elos significativos (admitindo-se que não haja interferência alguma de elementos não pertinentes à ação em tela, o que jamais ocorre na experiência empírica e só é pensável em termos típico-ideais). Basta pensar em qualquer ação social (por exemplo, despachar uma carta) para visualizar isso. Os elementos desse processo articulam-se naquilo que Weber chama de “cadeia motivacional”; cada ato parcial realizado no processo opera como fundamento do ato seguinte, até completar-se a sequência.

COHN, Gabriel, org. Max Weber; Sociologia. p. 27.

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