sexta-feira, 25 de maio de 2012

O positivismo: a primeira corrente sociológica.


O positivismo foi a primeira corrente sociológica e se originou da teoria de Auguste Comte. Em sua  teoria Comte procurar organizar alguns princípios a respeito do homem e da sociedade, tentando explicá-los cientificamente. Nesta concepção somente são válidas as análises sobre a sociedade quando feitas na observação cuidadosa dos fatos empíricos e no teste sistemático das teorias.
O pensamento positivista remete as idéias desenvolvidas pelo Conde Saint-Simon (1760 – 1875). Para o filosofo e economista francês, o acirramento dos conflitos de classes e o aumento da violência ocorridos no contexto do surgimento da Revolução Industrial seria um processo natural, pois estes conflitos eram reflexos da transição do feudalismo para a sociedade industrial, onde as antigas formas sociais estariam desaparecendo. Os conhecimentos fundamentados na teologia, a base de sustentação da velha ordem, não eram mais suficientes para explicar os problemas do novo regime. Isto levou a sociedade uma crise de identidade, ou conforme Max Weber “o desencantamento do mundo”, ou seja, o individuo perde sua base de referência.
Para Saint-Simon a sociedade era um organismo vivo formado por instituições. A transição de um sistema social para outro, leva a desorganização destas instituições, em consequência haveria um desequilíbrio na sociedade. Diante desta situação seria necessário criar um ponto de equilíbrio, que no caso da sociedade industrial  seria uma política positiva fundamentada no conhecimento científico. Para Saint-Simon, cada modo produção corresponde a um determinado modo de organização social e política. Os pilares de sustentação da nova sociedade eram a indústria e os conhecimentos vindos da ciência. A sociedade industrial seria o estágio superior da humanidade e os conhecimentos científicos ajudariam a humanidade a evoluir na medida em que aumenta a capacidade dos indivíduos de intervir sobre sua própria realidade.
Como secretário do Conde de Saint-Simon, Auguste Comte foi influenciado pelo pensamento do chefe. Comte lutava para que,  todos os ramos de estudos, obedecessem aos métodos científicos. Por exemplo, Comte dizia que, as relações humanas deveriam ser estudas por uma ciência própria da sociedade, a qual deu o nome de sociologia. Do ponto de vista de Comte, para superar os problemas sociais a sociedade deveria passar por uma reforma intelectual, que seria  a difusão dos conhecimentos científicos.
Segundo Turner (1999) uma das contribuições de Comte para o desenvolvimento da sociologia foi sua luta em defesa da sociologia como área legitima de estudo. Para fazer com que a disciplina de sociologia se tornasse legitima Comte instituiu a leis dos três estados, na qual o conhecimento está sujeito ao processo de evolução:

a)     O Estado teológico em que o pensamento sobre o mundo é determinado pelas considerações do sobrenatural, religião, Deus;
b)     O Estado metafísico, em que as atrações do sobrenatural são substituídas pelo pensamento filosófico sobre a essência dos fenômenos;
c)     No estado positivo a ciência e os conhecimentos vindos da experiência através da observação dos fatos empíricos tornam-se modos dominantes para acumular conhecimentos. (TURNER, 1999. p, 5.)

A segunda contribuição de Comte para o desenvolvimento da disciplina de sociologia foi a sua hierarquização das ciências. Comte classifica as ciências de acordo com o seu grau de positividade, ou seja, em função da sua capacidade de resposta coesa sobre os fenômenos estudados. O ensinamento das ciências iniciaria com a matemática, a astronomia, a física, a biologia e por último a sociologia, devido à complexidade do estudo das sociedades humanas, para divulgar sua doutrina em 1829, Comte cria o curso de filosofia positiva.
Émile Durkheim foi um defensor da disciplina de sociologia nas Universidades francesas, como chefe da escola sociologia da França conseguiu apresentar a sociologia como uma teoria globalizante, capaz de integrar e de sistematizar os fatos sociais. Também fez da sociologia uma disciplina científica  dando-lhes um conteúdo que não mais pertencia ao  domínio do senso comum, e sim ao domínio científico.
Para Durkheim a singularidade da sociologia no concerto das disciplinas reside essencialmente em sua capacidade de dar conta dos fenômenos sociais como “coisas” que podem dar lugar a uma abordagem objetiva, este é o caráter insubstituível da sociologia. Outro fator importante trata-se das modalidades de imposições dos valores e dos princípios da vida em sociedade, fato que leva a sociologia  aspirar uma ciência moral.
Os esforços para organização da disciplina de sociologia na França na virada do século XIX devem-se a amplitude dos intercâmbios desencadeados pelas publicações de Durkheim (Da Divisão do Trabalho Social e As Regras do Método Sociológico). Na análise de CUIN, (1994) lembra que é preciso levar também em consideração o “fato de que as ciências sociais estavam na moda, era assunto de quase todas as reuniões do meio intelectual”. A importância da disciplina de sociologia dava-se pela qualidade de sua informação do processo evolutivo da sociedade.
O entusiasmo pelos conhecimentos científicos leva uma reformulação nas Universidades e Faculdades francesas. Com o objetivo de construir um novo ensino superior, que mostrasse ao mesmo tempo preocupado em transmitir um saber irrigado pela pesquisa e em favorecer o nascimento de uma nova comunidade moral que unisse professores e alunos ao redor da ciência.
No último quarto do século XIX as Universidades Francesas gozam de iniciativa de incentivo ao desenvolvimento de um ensino de qualidade e de pesquisa científica.  CUIN nos diz que:

Dentro do Mistério da Instrução Pública não faltavam apoios a nascente ciência da sociedade.  (CUIN, 1994 p 101)

Em primeiro momento, o governo francês apoiava cientistas que defendessem a causa republicana e sua moral secular. Foi assim que Durkheim, jovens, professor de Filosofia, foi enviado à Alemanha para completar sua formação. Em  segundo lugar a França queria enfrentar a hegemonia intelectual e científica da Alemanha, formando professores sobre égide da ciência social, para melhor subtraí-las à tutela da religião católica.
Não foi só no ensino que os poderes públicos manifestavam interesse pela ciência da sociedade. Havia também a preocupação das tensões provocadas pelos conflitos entre patrões e os operários, que leva ao Estado a se colocar como árbitro entre assalariados e donos de fábricas. Nessa perspectiva a Sociologia também é vista com instrumento de investigação da população trabalhadora tendo como objetivo conhecer a sociedade para melhor comandá-la.

SANTOS, José Maria dos. A disciplina de sociologia no Brasil no contexto das reformas educacionais no ensino médio: da reforma Benjamim Constant à lei 11.684/08. 2010.p. 10-14.

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